Estou aprendendo a sentir diferente.De modo que o trago, o caminho e o sorriso,
se situam entre cenas paralelas.
Algo me diz que há existência
dentro do que dizem
não existir.
Não seria o amor,
a força mais potente
do que não se vê?
Dessa forma,
a vida não se vai.
E cada poeira cósmica
esconde seus segredos.
Viver se torna um leque
de possibilidades
saltando aos olhos.
E por isso fazer escolhas é
tão difícil.
O segredo de estar na terra,
é não se sentir apenas parte
dela.
Somos parte de um processo
maior, que até hoje
ninguém entendeu.
Só quando nos dermos conta
de que nada no mundo se mede.
Compreenderemos a verdadeira
matemática das coisas.
Compreenderemos não, sentiremos!
Se desprender das algemas terrestres
e naturalmente reconstruir o seu
próprio mundo é
o que chamam de loucura.
Eu insisto: há cura em ser louco.
Eu não acredito que o mundo
possa se resumir
ao trabalho, à ciência e aos
sonhos.
E se eu quisesse viver sonhando
com o nada?
Existem lentes,
e pílulas,
que criam necessidades
e nos afastam
de tantas outras possibilidades.
Tenho medo de chegar ao fim
da vida e dizer:
Como assim? Apenas isso eu
vivi?
Por isso insisto em outras
maneiras
de ser, de dançar,
de falar,
de amar.
Já desisti
da linearidade,
da bussola,
da estrutura,
da estabilidade,
da branca paz.
Se é que a vida,
não é apenas
uma viagem de alguém
de um outro mundo.
Muito respeito ao
falar de "alucinação".
Não é mesmo,
Belchior?
A maioria dos problemas
humanos são causas do falar
sobre o que
não se conhece de forma
fatalista.
Por isso, muitas vezes
tenho problemas
com as "questões de opinião".
Que graça tem uma origem
para todos os conceitos
que fundamentam
as nossas verdades?
E o que são
as nossas verdades
para além de escudos,
e justificativas de nossas
escolhas?
Quem foi,
que deixou passar,
por exemplo,
a ideia de que
dinheiro
vale mais que a vida?
Eu quero paisagens,
fotografias,
colagens,
passarinhos,
amantes mais
que amores.
Eu quero sabores,
dores,
amores,
mel de abelha
e de humanos
na ponta da língua.
Eu quero vida em sua
potencialidade.
Eu não quero sociedade,
quero uma outra coisa,
algo muito além dela.
Eu quero não chorar
por amor, pois amor não fere.
Eu quero o direito de discordar
e ensinar aos meus pais
a serem filhos e a
reescreverem
a sua história
sendo netos.
Muito mais do
que um território
que me limite.
Muito mais que um mapa
que me situe.
Você pensa todos os dias
que células morrem
e nascem dentro de você?
Mas isso não deixa acontecer.
Nem tudo o olhar alcança.
Mas há uma força maior
no permitir-se
ao desconhecido.
Você se conhece?
Não, você não entendeu!
Você se conhece para
além dessa necessidade?
Obrigado a quem
quer que seja
pelo sofrimento existir e
pela dor também.
Sem elas,
eu jamais saberia
sobre o mundo dos
cavalos marinhos.
Nem teria achado baús de
riquezas no mundo dos loucos.
Nem tão pouco,
conhecido um pouco,
do que a arte pode
fazer,
na vida de quem naturalmente
sente o mundo dentro de si.
Silas