MEU MUNDO

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

"Ostra feliz não faz pérola"

 


"Fica viva que eu tô viva"

Essa foi a promessa que fizemos uma para a outra.

Ambas virginianas, mas carregando no peito

uma sede de justiça. 


Nada de ordem,

e toda desordem para desafiar a razão

que tanto nos fez sangrar.


Nossa loucura é amor,

é mudança que muda

constantemente de direção,

só não muda a promessa.


Nos encontramos e 

nos olhamos pela primeira vez 

em uma encruzilhada.

No chão e magia de Olinda

e também dos nossos sorrisos.


Entre uma palavra 

que saia do peito e outras,

veio o fato 

de que eu estava lendo

 "ostra feliz não faz pérola"

de Rubem Alves. 


Esse livro mudou a minha vida

assim como esse encontro.

Assim como nossas lutas.

Assim como nossa promessa.


E em seu corpo, 

havia tatuado, algo,

que perfeitamente se 

encaixava 

na metáfora da ostra. 


Da dor que é se refazer 

tantas e tantas vezes.

Do canto triste que é preciso ecoar

para que a pérola possa existir 

e servir de alimento.


Há corpos que carregam

potentes espíritos.

Há espíritos que vêm

 para cuidar de

outros e ser também

cuidado.


Ela sempre vem,

cada palavra encaixe.

Cada cuidado, encaixa.

Cada bronca, para

que eu saísse 

da caixa.


Estamos vivas,

pulsamos vida.

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