"Fica viva que eu tô viva"
Essa foi a promessa que fizemos uma para a outra.
Ambas virginianas, mas carregando no peito
uma sede de justiça.
Nada de ordem,
e toda desordem para desafiar a razão
que tanto nos fez sangrar.
Nossa loucura é amor,
é mudança que muda
constantemente de direção,
só não muda a promessa.
Nos encontramos e
nos olhamos pela primeira vez
em uma encruzilhada.
No chão e magia de Olinda
e também dos nossos sorrisos.
Entre uma palavra
que saia do peito e outras,
veio o fato
de que eu estava lendo
"ostra feliz não faz pérola"
de Rubem Alves.
Esse livro mudou a minha vida
assim como esse encontro.
Assim como nossas lutas.
Assim como nossa promessa.
E em seu corpo,
havia tatuado, algo,
que perfeitamente se
encaixava
na metáfora da ostra.
Da dor que é se refazer
tantas e tantas vezes.
Do canto triste que é preciso ecoar
para que a pérola possa existir
e servir de alimento.
Há corpos que carregam
potentes espíritos.
Há espíritos que vêm
para cuidar de
outros e ser também
cuidado.
Ela sempre vem,
cada palavra encaixe.
Cada cuidado, encaixa.
Cada bronca, para
que eu saísse
da caixa.
Estamos vivas,
pulsamos vida.

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