MEU MUNDO

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Rotas de fuga


Tudo fora de controle,
como teve que ser.
Controles são para
aparelhos.

Assim como 
as várias formas 
de amor são para
os seres humanos.

A vida me pregou
peças.
Levou-me a lugares,
inimagináveis.
Nem se eu pudesse
projetar ao máximo, 
saberia
dos lugares por
iria passar.

Com os olhos
de espanto,
percebo que
em certa medida
eu sempre fui
órfão.

A única que nunca
me abandonou
foi a vida,
a estrada.
O eterno
remendar-se.

Sou filha
daquilo que 
não tem
face.
E por isso
eu a crio.

Não me venham
com essa de 
explosões
complexas.
Não há nada
mais complexo
que nascer e 
morrer.

As dúvidas que
moram em tudo
o que nasce e se 
destrói, são
processos
e eles me bastam.

Bem mais que
entender,
me deixem 
viver.

As pedras, as flores,
minhas lagrimas,
a saudade,
o futuro,
o passado,
a água corrente
-presente-
ainda explodem.

Não me enquadrem
como sujeito,
tão pouco como
um ser "normal".
Tenho nojo 
da normalidade
e a nego
ao respirar.

Ser normal
no palco
da existência
é o mais 
burro disfarce.


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